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27/07/2014 21:28:46
Tradição e fé na 2ª Procissão das Pombocas, em Florianópolis
Cortejo que integra os festejos do Divino Espírito Santo em Santo Antônio de Lisboa, reuniu fiéis
Fonte da imagem: Marco Favero / Agência RBS

Servido o café e o pão, o borburinho aumenta na casa número 1788 da rodovia Isid Dutra, na Barra do Sambaqui, em Florianópolis. É noite fria de inverno, mas o grupo se mostra animado para a 2ª Procissão das Pombocas a primeira foi em 2013, que integra a programação dos festejos do Divino. A atenciosa dona da casa, Rosinha da Cruz, de 79 anos, vai de pessoa em pessoa conferindo se todos comeram bem para enfrentar a caminhada de um quilômetro.

Logo são acesas as lamparinas de querosene, carinhosamente chamadas de pombocas. Célio Marciano começa a batida do tambor, enquanto os devotos do Divino Espírito Santo tomam a rua em direção ao Engenho do Jovita, ponto final da marcha.

Tum-dum! Tum-dum! Tum-dum! E os primeiros hinos começam a embalar o cortejo. Puxam a fila, além de Célio e o tambor, o casal festeiro deste ano da Festa do Divino de Santo Antônio de Lisboa, Edemilso e Maria Helena Damasceno. Levam a bandeira vermelha e a coroa, que de tão lustrosa reflete as chamas das pombocas.

Após minutos de caminhada e cânticos, o grupo toma um caminho de velas que conduzem até o interior do engenho, onde um altar foi preparado para a novena pelos proprietários Valdir e Maria da Glória Soares. No interior da edificação centenária de madeira, o cheiro do querosene predomina. Senhores, senhoras e crianças entoam em uma voz versos em latim ensinados por gerações passadas.

Ao final do último amém, pombocas apagadas e luzes acesas: a cerimônia dá lugar à confraternização e comilança, com rosca, carreteiro, sopa, pastéis, canja e quentão. Tradição e fé estão, enfim, assim renovadas no Distrito de Santo Antônio de Lisboa.

Segundo conta Edson Luiz da Silva, pesquisador incansável das coisas da Ilha e conhecido por Velho Bruxo, a Procissão das Pombocas é uma tentativa de resgate das tradições açorianas.

— Antes de chegar a luz nesta região, nos anos 1970, o caminho era iluminado pelas pombocas, inclusive para os peditórios (pedidos de oferendas) da Festa do Divino. Esperamos que a cada ano aumente o número de pessoas — diz.

Quem explica a origem do nome "pomboca" é Rosinha da Cruz.

— Pomboca é um objeto grande, que era usado para iluminar o interior dos barcos. O nome acabou passando para as lamparinas pequenas, de mão. É a pombocona e a pomboquinha, não tem? E tem que ter pavio também, senão ela não acende — avisa, antes de explodir em uma gargalhada marota.

Confira datas das próximas edições da Festa do Divino em Florianópolis e região:

::: Barra da Lagoa — 30/08 a 1º/09.

::: Santo Antônio de Lisboa — 6/09 a 8/09.

::: Rio Vermelho — 13/09 a 15/09.

::: Canasvieiras — 27/09 a 29/09.

 

Fonte do texto: Hora de SC

Autor: Geral
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